quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O politicamente correto e as histórias recontadas

O politicamente correto está em derrocada no mundo inteiro porque é a conduta e o modo de pensamento segundo o qual a verdade possui um lado. E para a defesa desse lado, vale tudo. Nos EUA, os democratas adotaram essa premissa e chegaram ao ponto de admitir, como no caso da CNN, que Hillary Clinton recebia antecipadamente as perguntas que iria enfrentar nos debates contra Trump. Ou seja: Uma rede de televisão admitiu publicamente que, no entendimento dos seus editores e dirigentes, para que Donald Trump e as ideias dele fossem derrotadas, a verdade e a lisura na conduta eram fatores secundários.
Atualmente no Brasil ocorre o mesmo. Um grupo de artistas, famosos por boicotarem filmes alheios, pedirem proibições de comerciais com os quais não concordam e que chegaram a montar uma entidade, o "Procure Saber", para conseguir no Congresso a proibição por meio de lei de biografias não autorizadas, protagoniza no momento, campanha contra a censura. E são apoiados por pessoas que sabem disso. Mas que entendem que a verdade, assim como nos EUA, possui um lado. Não importa se eu procuro boicotar o filme que fala do Olavo de Carvalho. As ideias dele são "erradas" e devem ser combatidas. Censura boa é aquela que favorece as opiniões corretas, no final das contas.
Esse partidarismo aberto por parte da imprensa e da mídia foi praticado (sem reação alguma) no Brasil durante 13 longos anos. O povo assistiu a rede de TV hegemônica no país endeusar políticos que hoje estão cumprindo pena por diversos crimes. E assiste ainda, incrédulo, essa mesma rede de televisão, por motivos que ainda serão esclarecidos, bancar a pauta desse movimento "contra a censura", cujos principais filmes são estrelados por atores da casa.
Pela primeira vez, ainda que de maneira atabalhoada e frequentemente abusando de termos fortes e inapropriados ao debate de ideias, as pessoas estão reagindo. Não se enganem os que são a favor dessa "censura do bem" e os que são contrários por lembrarem de coisas como Caetano e Roberto Carlos querendo proibir as biografias por meio da lei: A reação contra isso é na verdade a reação contra toda a pauta politicamente correta e progressista. Contra os seus representantes e contra tudo aquilo que essa pauta representa. Embora pessoas como eu, com um entendimento mais simples ou menos elaborado da realidade nunca tenham entendido é o que faz alguém defender uma ideia que sabe ser falsa e estar errada. Simples assim.
- Maurício Alves, jornalista, Belo Horizonte -

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