segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pensamento politicamente correto é a religião dos órfãos de Moscou

As crianças estão sensíveis. Todos sabemos disso. As semanas passam e as notícias repetem-se: algures, numa universidade qualquer, um pequeno grupo de selvagens impediu um debate, uma palestra, uma mera conversa porque o tema é "sensível" e pode incomodar os estudantes.
As nossas universidades não são universidades –centros de aprendizagem, ou seja, de alguma violência intelectual para abrir cabeças usualmente fechadas. São estufas de sensibilidade e ressentimento. Como explicar isso?
Jonathan Haidt, professor da Universidade de Nova York, concedeu uma entrevista ao "The Wall Street Journal" que deveria ser distribuída por aí. Confrontado com o "iliberalismo dos campus", o professor Haidt defende os estudantes. A maioria é pacífica, diz ele. A maioria quer aprender. A maioria não tem problemas com ideias heterodoxas.
O problema, acrescenta, é a minoria: uma minoria intolerante e agressiva que –atenção, atenção– se comporta como as antigas seitas religiosas.
Para esses crentes, as universidades devem ser "espaços sagrados" onde as "vítimas", ou as supostas "vítimas" (negros, gays, mulheres etc.), são deuses reverenciais. Quando alguém ameaça alterar a ordem divina, chovem críticas, ameaças, vidros quebrados. E coquetéis Molotov. Como se chegou até aqui?
Jonathan Haidt tem razão quando fala do gradual desaparecimento de vozes conservadoras na academia, um eufemismo para designar a falta de pluralismo no ensino das humanidades. E tem muitíssima razão quando afirma que a esquerda radical é onipresente, defendendo um conceito de "igualdade" que é uma paródia do conceito original.
"Igualdade", hoje, não significa "igualdade de oportunidades" mas "igualdade de resultados". Se esses resultados não aparecem, a culpa é de um "racismo sistêmico" (ou, melhor ainda, de um "preconceito inconsciente") que deve ser combatido por palavras, atos – e silêncios.

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