terça-feira, 25 de abril de 2017

BOA LEITURA - “Estado, história e memória: Varnhagen e a construção da identidade nacional” (Arno Wehling)

O ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil tem dado uma contribuição importante para a compreensão do surgimento das instituições brasileiras, consolidadas, no século XIX, sob a égide do liberalismo com um toque conservador Saquarema que empolgou a geração de estadistas no período imperial. O livro é um valioso estudo do pensamento histórico brasileiro e suas múltiplas relações com as estruturas de poder. Distinguindo na obra do historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, o visconde de Porto Seguro (1816-1878), a análise científica e as estratégias da memória social, Arno Wehling destaca o papel de ambos os procedimentos para afirmar um determinado modelo de Estado e nação. Ao longo do livro, Wehling diz:
“A situação no Brasil era atípica em relação à Europa, e Varnhagen se adaptava a ela. Não havia anacronismo em buscar estabelecer para o país um Estado e uma sociedade nos moldes do Antigo Regime. Ainda que na Europa, após as revoluções de 1848, as discussões tenham voltado para a disputa entre burgueses e socialistas, isso não faz de Varnhagen um nostálgico, pois é mais um entre os defensores do modelo pré-liberal, que, entretanto, amoldaram-se pragmaticamente como tantos outros conservadores às circunstâncias que determinaram a prevalência do modelo constitucional liberal.”

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