quarta-feira, 22 de março de 2017

Mudanças na Lei Rouanet visam maior transparência: Seria esse o motivo da revolta de WAGNER MOURA?

O ator Wagner Moura – um bom ator, sem dúvida – publicou um texto na Folha hoje um tanto agressivo, alegando que os críticos dos artistas engajados teriam “medo”, e que o artista é um ser político que deve usar mesmo sua obra para levar uma mensagem ideológica. Correção: todo ser humano é um ser político, como já sabia Aristoteles. Mas não é isso que o ator tem em mente, e sim o engajamento partidário daqueles que parecem colocar a ideologia acima da própria arte. E isso, vai me desculpar, não é muito artístico.

O “capitão Nascimento” lança mão de um sofisma para se proteger das acusações de proselitismo, que eu mesmo já fiz várias vezes. Aliás, num determinado momento do texto ele parece tentar responder a mim mesmo, que escrevi que atores não são exatamente respeitados por sua inteligência política, e sim por seu bom desempenho em sua função, que até demandaria uma certa capacidade de não ser nada e ser tudo ao mesmo tempo, já que seu objetivo é absorver a personagem e persuadir o público, ou seja, enganá-lo de maneira convincente. Diz Moura:

A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.

Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?

Faz um tempo, dei muita risada ao ver uma dessas pessoas, que se referia com agressividade a um texto meu, dizer que todo bom ator é sempre burro, pois sendo muito consciente de si próprio ele não conseguiria “entrar no personagem”.

Talvez essa extraordinária tese se aplicasse bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita “let’s make it great again”. De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas.

É muita confusão, muita mistura deliberada. Vamos lá: os vagabundos, vendidos e hipócritas não são todos os artistas, como Moura quer insinuar, mas alguns, justamente aqueles que colocam a ideologia e o partido acima de tudo, e que parecem mirar apenas nas tetas gordas do estado via Lei Rouanet.

Reagan era meio canastrão como ator mesmo, mas que baita político ele foi! E que ser humano incrível, que superou adversidades, o alcoolismo do pai, a pobreza da família, para se tornar um líder inconteste que resgatou o orgulho nacional do americano, além da prosperidade, e ainda derrubou o império maligno soviético e o Muro de Berlim no processo, como trocado. Talvez Moura prefira pessoas “maravilhosas” como os atores de Hollywood que, na época, defendiam a União Soviética…

As “pessoas brilhantes” podem ser atores, é claro, mas suspeito que as realmente brilhantes não sejam as que Moura conhece e admira. Esses são “brilhantes” em defender o indefensável, em destilar hipocrisia, em ajudar a destruir o Brasil apoiando o PT e Lula. São esses os “camaradas” que Moura tanto admira, sem dúvida. Aqueles que, ao lado dos “intelectuais”, assinaram manifesto em defesa da volta de Lula em 2018. Brilhantes!

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