domingo, 12 de fevereiro de 2017

Sobre turbantes e a farsa da apropriação cultural

Escrevo tardiamente sobre a questão da moça com câncer que teria sido vítima de tentativa de coerção por parte de uma ativista negra por usar turbante. A moça que é branca teria sido acusada de racismo pela militante, e ainda de apropriação cultural. A história moralizadora que gerou em polêmicas e justificativas patéticas por parte dos defensores do africanismo racialista acabou por jogar nas sombras um ponto muito relevante desta discussão: a tese da apropriação cultural parte de uma premissa falsa, e portanto é uma farsa. 

Sim, trata-se de uma farsa. Tratando do termo literal, trata-se tão somente do uso ou adoção de elementos culturais e religiosos de determinado povo por um grupo diferente. É bom contextualizar: não há nada de racista, imperialista ou supremacista aqui. Esse tipo de fenômeno existe desde as primeiras civilizações, e é fruto justamente das interações entre os diversos grupos étnicos, tribais e nacionais. Mesmo antes das grandes navegações, já havia intensa troca cultural entre os povos. Na ordem espontânea da humanidade, a apropriação cultural é traço corriqueiro da própria humanidade. 

Mas isso não explica a suposta polêmica. Para os ideólogos de várias correntes do movimento negro, há um processo racista que pretende se apropriar de símbolos e de legados afro. Roubo puro e simples de algo que deveria pertencer a nós (falo aqui como negro). Outros tratam o caso como desrespeito, já que os antepassados negros sofreram os horrores do colonialismo e escravidão, e que isso é esquecido pelos negros. Há alguns que vão ainda mais longe: o processo de apropriação cultural teria a finalidade de "resignificar" símbolos de acordo com uma ótica privilegiada, além de calar as minorias ao usar os símbolos sem mencioná-las? Não entendeu? Não é para entender, já que isso não tem qualquer lastro na realidade. 

Em resumo, pessoas não deveriam se apropriar de bens produzidos por outras culturas. Brancos não devem utilizar dreadloks, tranças, turbantes e estampas africanas. É aí que o fascismo toma os primeiros contornos: as publicações militantes (principalmente as que são ligadas ao feminismo negro), passam a espalhar um discurso de ódio contra quem comete esta infração. Aos poucos, os que bebem nestas fontes de água podre começam a agir como justiceiros. O caso da moça do turbante não é o único. Dos mais rumorosos, lembro deste jovem acossado por dois justiceiros sociais na Universidade Estadual de San Francisco, Califórnia. Ele reage de maneira firme diante do absurdo, deixando perplexos os fascistas. 

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