sábado, 16 de maio de 2015

FORA DO EIXO NO MINISTÉRIO DA CULTURA BOICOTA A MÍDIA LIVRE

A Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) está abrindo consulta pública para o edital Prêmio Pontos de Mídia Livre. Segundo Ivana Bentes, responsável pela Secretaria do MinC, a consulta “deverá ser a mais ampla possível” (vai vendo).
Mas, já de cara, fica claro o objetivo desse "apoio à mídia livre". Para que os grupos sejam beneficiados pela iniciativa, o primeiro requisito é que os grupos, pontos, coletivos de mídia sejam certificados como Pontos de Cultura. Que grupos de mídia são certificados como Pontos de Cultura no Brasil? Os grupos do Fora do Eixo. Ponto. Com a regulamentação da Política Nacional de Cultura Viva, grupos poderão se “autodeclarar” como Ponto de Cultura.
Mas...
1 - A plataforma para fazer essa “autodeclaração” só estará pronta, na previsão mais otimista, a partir de Junho. A consulta pública termina em 25 de Maio. Isso significa que, quem não é reconhecido pelo MinC como “ponto de cultura” tá fora, não participa, simples assim.
2 - Por que diabos um coletivo/grupo de mídia livre deve ser obrigado a se "autorreconhecer" ou "ser reconhecido" como Ponto de Cultura? E se muitos coletivos não se entendem como "pontos de cultura"? Por que esse edital tá sendo lançado pelo MinC e não pelo MiniCom (ou por um esforço conjunto de vários ministérios com o MiniCom nas discussões e incluindo o tema da democratização da mídia)?
Queria saber quais coletivos de mídia com trampo foda por aí reconhecem a si mesmos como “pontos de cultura”, sem descambar pra uma ideia vaga demais do que é cultura. Exemplos de mídia independente não faltam (Guerrilha, MIRA, R.U.A Foto Coletivo, Coletivo ReVira-Lata, Jornal A Nova Democracia, Revista Vaidapé, Revista Afirmativa, Revista Clichê, Revista Berro, etc).
Um dos momentos de discussão desse edital será o "Encontro de Mídia Livre", em 15 de Maio no RJ. Grupos de mídia poderiam se inscrever e, se atendessem aos critérios, teriam passagens aéreas pagas pelo Ministério. Mas o período de inscrição, anunciado em 28/04, durou menos de uma semana. Quem não soube ou ficou sabendo em cima da hora e não pode se preparar devidamente para atender a todos os requisitos, ficou de fora, bem simples.
Fica cada vez mais claro que, alinhado com o que tem se discutido internamente nas coordenações de comunicação do PT, o Fora do Eixo (com todas as suas marcas, Midia Ninja, o folheto petista Jornalistas Livres, etc) tem se utilizado de seus braços dentro do MinC para se apropriar na cara dura de um órgão público, boicotando grupos que discordam de sua linha, dificultando o acesso para quem não está sob seu eixo e adaptando tudo para que o próprio grupo sempre possa atender aos requisitos de consultas e editais lançados e que outros não tenham acesso.
Ter um ministério em suas mãos é uma maneira bem fácil de um grande esquemão combalido se reerguer quando vinha definhando por ver suas fontes governamentais de receita parecendo a Cantareira. Para além dos editais de festivais, entramos na era dos “editais de mídia livre” formatados ao gosto de quem soube articular muito bem uma campanha eleitoral e agora está recebendo o retorno do investimento em um esquema podre de poder.
A relação do Fora do Eixo com o MinC revela a politicagem em sua expressão mais nojenta: toma uma campanha lá, me dá uma fonte de receitas cá.
- Ratitu Ratz, via Facebook -

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