domingo, 1 de junho de 2014

Opinião: A serviço da impunidade

Alegrias e tempos sombrios - Waldir Bertúlio
Continuamos sendo vítimas de uma indecorosa e maléfica manipulação política, onde a mídia é um meio, um instrumento para viabilizar esta forma de apropriação da dignidade cidadã. Na pré-campanha de 2002, candidatura de Lula da Silva, Duda Mendonça, (impune) criou um videoclipe de 1 minuto, intitulado ‘ Xô Corrupção’. Inúmeras vezes veiculado na mídia nacional (ver blog do Ibrahim). Ratazana saindo de um buraco devorando tudo que encontra, arrastando a bandeira nacional em comilança para os esgotos. O fecho diz ‘ ou a gente acaba com eles, ou eles acabam com o Brasil’.
É impressionante a esquizofrenia comunicacional, a mesma forma e concepção da propaganda atual lançada pelo partido da presidente Dilma. O argumento é o medo do retrocesso, de voltar aos tempos ‘ruins’ se perder a eleição. O significado é medo, ameaça, e o significante é impunidade. Voltar pra onde mesmo? A única esperança que sobrou é deles mesmos, garantir que a população não tenha acesso à informação, apague tudo, ignore as malfeitorias e, justamente, a naturalização da corrupção como instrumento da gestão pública. Ao contrário, assumiram o papel da ratazana do clipe de campanha de 2002, com a máxima, ‘ninguém fez (desvios), ninguém sabe, ninguém viu’. É tudo invenção, como diz o mestre Lula da Silva, os acusadores estão sempre contra o Brasil.
Como na epidemia recorrente de escândalos: a OI - Telecom - Lulinha, os acordos espúrios com financistas, empreiteiras, banqueiros, aparelhamento e inchaço dos cargos públicos, estatais, ONGs, envolvimento com doleiros, mensalão, Petrobras. Este último, flagrante expropriação financeira, com o governo responsabilizando aqueles ( que dizem a verdade) que ‘querem acabar com a Petrobras’. Manobras espúrias contra as desacreditadas CPIs, em cinismo e práticas ‘escroques’ sem limites. Acreditam que garantirão a impunidade sob seu controle. Aliás, essa é a cartilha política do nosso pobre (ética) Estado de MT. Blairo Maggi, o sonhado apoiador da campanha de Dilma, pode estar, independente de mérito, vítima do tal ‘fogo amigo’, para pressioná-lo.
É zona cinza quando entra em casos do STF ministro como Dias Toffolli (história pregressa). O PT e base aliada esperam ter ministros só a serviço de interesses espúrios da ‘governabilidade’. Mais do que isto, inocentando corruptos, desfazendo mesmo decisões já tomadas (mensalão), via manobras de reposição e afrouxamento de ações condenatórias. É inominável e odienta a agressão continuada,racista, contra o ministro Joaquim Barbosa.
É lamentável a notícia de que muitos prefeitos e setores da Assembleia Legislativa estejam em festa, recepcionando o crônico ex-presidente, no retorno da prisão para interrogatório em Brasília. Como se estivesse absolvido das potenciais e incontáveis ( conhecidas e ainda não conhecidas) tramóias com o erário público. No último escândalo do indefectível Legislativo cuiabano, fez acusações e ameaças para proteger seu pupilo e aluno ( enfant gatée) que guindou com suas práticas monetárias escusas à Câmara de Vereadores. Foi defensor incondicional do VLT e outros interesses de empreiteiras na Copa, vergonhosamente aprovados sem um pré-projeto sequer. É uma prática que vem exposta açodadamente desde a campanha que fraudou as eleições onde o padre Pombo ‘ganhou, mas não levou’.
Triste aniversário de Várzea Grande, que já teve até dois governadores e não conseguiu a mínima estrutura para ser uma cidade saudável. Continuará deserdada de representação? Hoje vemos na gestão pública uma longa história de malversações em obras, compras, precatórios, isenções fiscais, vendas de patrimônios públicos e de terras, que viram ‘grana rachada’ em percentuais cada vez mais elevados. Riva e Eder, potenciais e flagrantes atores da corrupção em Mato Grosso, são poucos na leva enorme que nutriu-se e nutre no desvio da função pública.
Existem antigos e novos que estão aí, postulando poder, reeleição, blefando, como se fossem vestais da honestidade. Se historicamente tivéssemos denúncias, investigação e punição exemplares estariam trancafiados. Grande parte não poderia justificar suas riquezas. Como diria meu pai: ‘Estamos em um mato sem cachorro‘!
Waldir Bertúlio é professor da UFMT. E-mail: waldir.bertulio@bol.com.br

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