quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Entrevista: Brasil ainda tem muito potencial para streaming, diz diretora da Vevo no Brasil

O mercado de streaming musical vem se tornando uma boa alternativa às gravadoras, sempre preocupadas com a pirataria. Dados da consultoria Gartner apontam que até 2015, o streaming vai mais que quadruplicar. Os serviços de assinatura devem faturar US$ 2,2 bilhões e responder por cerca de 30% do faturamento do setor, que deve chegar a US$ 7,7 bilhões.
Mas no Brasil esse processo ainda está atrasado, muito em parte devido à lenta expansão dos serviços de banda larga. No entanto, muitas empresas do setor estão de olho no mercado nacional e planejam estratégias para garantir seu espaço em um país com mais de 130 milhões de internautas.
Para saber como essas empresas estão se planejando no país, INFO conversou com Fátima Pissarra, diretora geral de operações da Vevo no Brasil, que contou detalhes sobre as apostas e novidades da empresa para o país.
Estamos acompanhando um crescimento global em serviços musicais por streaming, com o Brasil sendo um dos principais consumidores deste tipo de serviço. Como a Vevo enxerga esse mercado no país? Esse mercado está crescendo muito e vai crescer ainda mais. O crescimento não envolve somente termos usuários, mas sim termos tecnologia de acesso à internet que permita uma qualidade de streaming. Com o crescimento e desenvolvimento da inclusão social e da tecnologia, tanto internet como mobile, o potencial de acesso para vídeos se amplia. E temos um vasto campo para crescer. Vejo isso no próprio consumo da Vevo. O Nordeste, por exemplo, não representa 3% do acesso total, e a região Norte menos ainda. Isso mostra como temos muito a expandir para o uso de vídeo streaming, e consequentemente pra Vevo.
Serviços musicais de streaming são atualmente a melhor opção para legalizar a música na internet e reduzir a pirataria? Não sei se são a melhor solução, mas podem ser uma alternativa para todas as frentes.
O streaming musical é uma boa fonte de renda para as gravadoras. Mas o que falta ainda para melhorar e popularizar esse tipo de serviço para o consumidor? No caso do streaming da Vevo não há cobrança, é um serviço gratuito que monetizamos através da propaganda, ou seja, os artistas são remunerados pela propaganda que roda no conteúdo. No caso da Vevo, a popularização depende do desenvolvimento tecnológico, que possibilite a banda larga estar presente em mais locais do país. Alternativo a isso, a Vevo no Brasil está buscando artistas locais para entrar na plataforma, tendo em vista também criar outro atrativo para as regiões de menor acesso. A Vevo quer colocar seus conteúdos próprios na plataforma, de forma a ter artistas locais também dentro da Vevo. Isso é parte da estratégia de popularizar o serviço e trazer novos acessos.
A Vevo pretende lançar um serviço de streaming musical, além da plataforma de videoclipes? Já trabalhamos com live streaming de shows. Transmitiremos o Camarote Salvador 2014, por exemplo, online ao vivo para todo o mundo. Será o terceiro ano de transmissão da boate do Camarote e este ano transmitiremos os shows de DJs internacionais e também a última apresentação de palco do Bell Marques no Chiclete Com Banana. Também investimos em programação própria local. Em 2013, tivemos 3 Go Shows no Brasil, que são shows surpresa em lugares inusitados. Temos projetos como o Sofá da Vevo, que gravamos com Rogério Flausino e Tulipa Ruiz. É o primeiro programa de entrevistas da Vevo no Brasil. A ideia é falar de música para descobrir qual som os une. E temos os videoclipes. No momento nosso foco é isso.
Além do streaming de músicas, que outras revoluções poderemos esperar no mercado musical? Teria alguma novidade em tecnologia na distribuição, por exemplo, que poderia nos adiantar? Acho que a grande revolução hoje é permitir acesso a todos dentro do país, e não somente regiões sudeste e sul. Consideramos se um dia norte e nordeste representarem maiores patamares de share, isso já seria uma revolução, porque mostra que a internet realmente chegou a todos os lugares. A revolução online já está acontecendo, agora é necessário fazê-la chegar a todos.
As leis de direitos autorais no Brasil são fracas? Elas impedem ou atrasam o funcionamento de serviços de streaming de música no país? Como isto poderia ser melhorado? Não acho que as leis de direitos autorais no Brasil sejam fracas, pelo contrário, acho muito fortes e com entidades que realmente trabalham em prol do autor da música. Hoje as editoras são nossas grandes parceiras e trabalham conosco em vários projetos, e estão evoluindo bastante. Como elas tratam dos interesses de inúmeros autores, é complicado também uma super velocidade, mas dentro do que atuamos as editoras sempre estão nos ajudando e apoiando ações inovadoras.
- Info Abril -

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