quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Especialista em dependência química é contrário à liberação da maconha

Na quarta-feira, dia 31 de julho, a Câmara dos Deputados do Uruguai aprovou o projeto de lei que legaliza a produção e o consumo da maconha. Agora o projeto deve passar por análise pelo Senado, mas é esperado que seja aprovado com facilidade.

O Diário Catarinense entrevistou o psiquiatra Marcos Zaleski, 53 anos, referência em tratamento de dependência química e um ferrenho especialista contrário à liberação da maconha.

Diário Catarinense: A liberação acabaria com o tráfico de maconha?
Marcos Zaleski: Não. A liberação de forma alguma resolve o tráfico. Isso porque, por exemplo, há tráfico e contrabando de substâncias legalizadas como o cigarro.

DC: O senhor concorda com o argumento que diminuiria a violência?
Zaleski: Não. Porque vai continuar o tráfico de cocaína e também vai aumentar o consumo. A violência está ligada ao tráfico e também ao uso da cocaína. A liberação só tende a criar uma zona de mais conforto ao usuário.

DC: Por que o senhor é contrário a liberação da maconha?
Zaleski: Qualquer cidadão deve pensar em reduzir a disponibilidade de drogas e usuários. A droga liberada também vai ocasionar graves problemas de saúde, superlotar ainda mais os leitos e agravar ainda mais a questão de saúde no Brasil.

DC: Quais males a maconha faz para a saúde?
Zaleski: Há diminuição da concentração, perda da memória. Tenho tratado casos de surtos psicóticos, pode ter a esquizofrenia precipitada, além de problemas pulmonares.

DC: A maconha faz menos mal que o cigarro e o álcool?
Zaleski: Não é verdade. São drogas distintas, diferentes e o consumo de álcool não é proibido a menores de 18 anos, que desde que tenham autorização dos pais podem beber. Se essas pessoas que dizem que o álcool tem efeitos piores, por que elas não fazem campanhas de restrição ao consumo do álcool?

- Diário Catarinense -

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