sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Enfim, livre

Após ficar em apuros com problemas de saúde, o guitarrista Bruno Kayapy reformula o Macaco Bong e desabafa tudo o que sofreu ao ser cooptado por um projeto político/messiânico.

Essa é uma história de uma banda que, ao ter seu disco colocado em primeiro lugar numa lista com os 25 melhores do Brasil, levou uma bronca do chefe, que logo quis se apropriar de seus méritos. A história de uma banda sem igual no cenário musical brasileiro que durante anos serviu de “case” de sucesso de um projeto político/messiânico que tem chocado o Brasil nas últimas semanas, a cada espantosa revelação de quem esteve lá dentro e conseguiu sair. E, sobretudo, a história de um músico que cedeu sua força de trabalho em diversas áreas para uma causa política e se viu desamparado quando mais precisou, ao ser diagnosticado com 50% de chances de morrer.
O Macaco Bong não acabou como muita gente imagina, mas segue vivo curando traumas e se reestruturando. Além do guitarrista Bruno Kayapy, sobrevivente da formação clássica, estão na banda Igor Jaú (baixo) e Eder Uchôa (bateria). Nascido em Cuiabá em 2004, o trio se destacou no meio independente (e depois fora dele) fazendo um som instrumental de altíssima qualidade, mas também por envergar a bandeira do coletivo Fora do Eixo, a ponto de titular seu álbum de estreia com o slogan “Artista Igual Pedreiro”, lançado em 2008. Ainda foram colocados no mercado o EP “Verdão e Verdinho”, em 2011, e o segundo álbum, “This Is Rolê”, em 2012. Depois disso, tudo desmoronou.
Essa era para ser uma entrevista com uma banda como outra qualquer, afinal é o rock que interessa aqui, e um grupo como o Macaco Bong e um músico talentoso como Bruno Kayapy não podem ficar no limbo da manipulação política. Mas os relatos do guitarrista, feitos via e-mail, em tom de desabafo, têm passagens tão impressionantes que não poderiam - e nem foram - editados ou replicados. Assim como aconteceu com outros sobreviventes do Fora do Eixo, Bruno desabafou longamente boa parte de tudo o que viveu nesse período intenso (e tenso) de sua existência.
Apropriação de criação artística, pressão psicológica, manipulação da boa fé alheia, trabalho árduo sem reconhecimento e remuneração - não é só pelos cachês -, projeto de perpetuação no poder, descaso, abandono, ingratidão, falta de solidariedade e sim, um pouco de arte, música e rock’n'roll você vai encontrar nas linhas abaixo, escritas pelo próprio guitarrista. As respostas são longas - a internet está aqui pra isso mesmo - e pode te cansar, mas, se eu fosse você, leria tudo até o fim, nem que faça isso em partes. As revelações de Bruno são realmente assustadoras.

- leia a entrevista completa em Rock Geral -

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