terça-feira, 20 de agosto de 2013

Demagogia em órbita

A saga do Jim Jones tropical e os seus dissidentes

Não tenho nenhum depoimento sofrido sobre o Fora do Eixo. Não tenho ilusões perdidas, expectativas frustradas, tampouco temor em jogar fora a água da bacia junto com o bebê.
Não tenho nada disso porque nunca nutri confiança em um projeto político de poder travestido de vanguarda. Salvo por um breve período, após as ressalvas de um amigo cujo histórico de atuação no movimento cultural precedia a atuação do FdE, um coletivo, que em sua visão, tinha um “potencial muito forte para o fortalecimento de políticas públicas no Brasil”.
Em função desta perspetiva, fui no 4º Congresso Fora do Eixo ver de perto do que se tratava o “Partido da Cultura” (Pcult), uma proposta para destacar as bandeiras do setor cultural através de articulações suprapartidárias pelo país. Era 2011, ano pré-eleitoral.
Após uma empolgação inicial em ver aquela garotada toda se movimentando em função de bandeiras bacanas como a cultura livre e a organização em rede, fui notando que as coisas não aconteciam exatamente como pareciam. Logo na abertura do evento, que contou com a presença no palco de uns seis ou nove jovens que subiram e desceram do mesmo jeito: Calados. Após 45 minutos de um discurso repleto de frases de efeitos e bravatas de Pablo Capilé, idealizador e gestor do coletivo.
Até então, minha experiência mais direta com o Fora do Eixo foi no UFSCTOCK daquele mesmo ano, em Florianópolis, no qual me convidaram a participar de uma mesa sobre Cultura Digital. No fim do debate, cada participante foi questionado sobre o que achava do trabalho do Coletivo, no que respondi “Acho interessante. É um movimento social que mistura ativismo com técnicas de franchising”. Só me dei conta do caráter “afrontoso” da frase quando me depararei tanto com as reações dos membros do FdE quanto dos meus colegas de mesa. De fato, naquele momento, era uma análise crua e simples que me veio à mente.
Mal sabia eu que a minha impressão se confirmaria tão cedo, meses depois, no Congresso FdE, em São Paulo. Perdi a conta do número de vezes que ouvi declarações como “nós eramos o coletivo das Margaridas, da cidade das Batatinhas, hoje somos a Casa FdE Batatinhas”. Após outros exemplos de pasteurização de iniciativas, cheguei a conclusão de que o FdE era apenas mais um projeto de poder em si mesmo quando ouvi repetidas vezes que o “Partido da Cultura poderia, um dia, ter candidatos próprios nas próximas eleições”.
Meses depois, aquele mesmo amigo que me instigou a conhecer o FdE teve sérios problemas de divergência com a cúpula do coletivo, tendo que se desligar de uma maneira abrupta. Com o afastamento dele e a minha experiência no congresso, foi-se a única tentativa de crédito ao grupo.

http://sarcastico.com.br/foradoeixo/

1 comentários:

Anônimo disse...

e viva a sociedade alternativa