quarta-feira, 24 de abril de 2013

A profissão de músico pode trazer riscos de dano à coletividade?

Profissões que podem trazer dano à coletividade segundo o entendimento jurídico são basicamente, a medicina e demais profissões ligadas à área de saúde, a engenharia, a advocacia e a magistratura, dentre outras várias. Músicos alegam não ser necessária a carteira da Ordem dos Músicos do Brasil pelo caráter não prejudicial da profissão. Será este um oficio inofensivo?
Ninguém imaginaria que a música possa causar dano a coletividade, algo tão bonito e gostoso poderia trazer sérios riscos à sociedade? Pois bem não é o que todos os sábios da humanidade, os governantes de todos os tempos e a ciência mais avançada mostram.
Vamos começar com Platão, o filosofo grego cujos pensamentos sustentam todo o mundo democrático e republicano. Vejamos o que ele escreveu no livro A República a cerca de 2500 anos.
A música é criadora de estados de alma, os quais fazem nascerem ideias correlatas em nossas mentes.
Portanto, a tese de Platão de que "toda inovação musical é prenhe de perigos para a cidade inteira"e que "não se pode alterar os modos musicais sem alterar ao mesmo tempo as leis fundamentais do estado".
Assim, a música atua imperceptivelmente nas tendências mais profundas das almas, podendo provocar verdadeiras revoluções intelectuais e institucionais.
Platão insiste no poder insinuante da música de agir sem ser percebida, a ponto de conseguir destruir ou revolucionar uma sociedade, "pois é aí que a ilegalidade se insinua mais facilmente, sem ser percebida...sob forma de recreação, à primeira vista inofensiva".
"Nem, a princípio, causa dano algum, mas esse espírito de licença depois de encontrar um abrigo, vai-se introduzindo imperceptivelmente nos usos e costumes; e daí passa, já fortalecido, para os contratos entre os cidadãos, e após os contratos, invade as leis e constituições, com maior impudência, até que, ó Sócrates, transforma toda, a vida privada e pública". (Platão, República, Livro III)
Segundo o sábio Chinês Confúcio a música altera os estados da alma e os chineses estavam certos de que toda música vulgar e sensual exercia uma influência imoral sobre o ouvinte. Daí que toda música fosse estreitamente vigiada de modo que se pudesse verificar se ela tendia para a espiritualidade ou para a degradação e se, de um modo geral, o seu efeito propendia para o bem ou para o mal. Confúcio condenou diversos estilos que supunha moralmente perigosos. Afirmava ele: “A música de Cheng é lasciva e corruptora, a música de Sung é mole e efeminante, a música de Wei é repetitiva e tediosa, a música de Ch’i é dura e predispõe à arrogância.”
Tanto os Reis quanto o Clero tratavam o controle da música com grande seriedade sempre vigiando de perto o que se tocava e cantava, basta lembrar o que o governo militar fez no Brasil nos anos de ditadura dos anos 60 e 70. “Pai afasta de mim esse cálice” (cale-se) cantavam Chico e Milton...
Mas será que a ciência tão avançada das três últimas décadas comprova as preocupações dos sábios e governantes? Vejamos o que diz a matéria da revista Mente e cérebro:
Novas pesquisas explicam o poder dos sons sobre o que sentimos e os benefícios para o bem-estar físico e mental; entre seus efeitos estão o favorecimento da coesão social e de conexões empáticas entre os membros de um grupo – Encantos da Música Revista Mente e Cérebro 2013
1.  Pesquisas recentes mostram, por exemplo, que a música conduz certas emoções de forma consistente.
2.  Evidências também indicam que a música faz aflorar respostas previsíveis em pessoas de culturas diversas, com capacidades intelectuais e sensoriais variadas.
3.  Diversas pesquisas indicam que a música conduz a emoção pretendida para aqueles que a escutam.
4.  A capacidade que a música tem de conduzir sentimentos pode ser a base de um dos seus maiores benefícios.
Se houvesse consciência do efeito danoso da música na sociedade não teríamos as aberrações que invadiram as rádios, TVs e palcos do Brasil, com artistas charlatões cantando todo tipo de absurdo sujo e degradante! Se a Ordem dos Músicos tivesse representatividade não teríamos entregado a sociedade à destruição como se vê acontecendo nos noticiários todos os dias, com a juventude sendo dizimada em mais de 50.000 homicídios por anos e mais 80.000 mortes no trânsito.

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