segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Estudo questiona relação entre uso de maconha e queda de QI em jovens

Um estudo de referência no campo da pesquisa, que sugeria uma ligação entre o uso de cannabis e a queda no QI de adolescentes, pode não ter ido longe o suficiente em sua pesquisa, com as quedas de QI ocorrendo mais provavelmente devido a status socioeconômico menores do que por conta da maconha.
O mais recente trabalho, publicado na revista da Academia Americana de Ciências, a "PNAS", também sugere que medidas de procedimento diferentes podem ser necessárias neste caso. "Meu estudo essencialmente mostra que os métodos utilizados e as análises apresentadas na pesquisa original são insuficientes para descartar outras explicações (para o QI mais baixo)", disse Ole Rogeberg, economista do Centro para Pesquisa Econômica Frisch, em Oslo.
Acompanhamento de 40 anos
A pesquisa de Saúde e Desenvolvimento Multidisciplinares Dunedin é um relatório contínuo produzido pela Universidade de Otago, da Nova Zelândia, que vinha monitorando 1.037 crianças do país nascidas entre abril de 1972 e março de 1973. A pesquisa acompanhou as crianças por 40 anos.
Os participantes foram testados periodicamente para medição de QI e outros índices, incluindo consumo de drogas. Em 2012 a psicóloga clínica Madeline Meier produziu um estudo dizendo que havia uma ligação entre o uso de maconha na adolescência e um QI mais baixo.
Pesquisadores no estudo de Madeline compararam as tendências de QI de pessoas que nunca fumaram cannabis com quatro grupos de usuários da droga. Com isso, descobriu-se declínios maiores de QI com o uso de cannabis de forma "linear".
O pressuposto fundamental no estudo de Madeline é que o uso da cannabis é a única diferença relevante entre os grupos testados, disse ele. O uso de um modelo de simulação mostrou que pode ser prematuro tirar uma inferência causal entre o uso de maconha e a queda de QI.
Por um lado, outro trabalho a respeito do grupo Dunedin, no qual o estudo da pesquisadora é baseado, sugere que o consumo precoce de cannabis é mais comum em pessoas com baixo autocontrole, problemas de conduta anteriores e altas pontuações para fatores de risco ligados ao status de famílias de baixa renda, escreveu o pesquisador na "PNAS".
Tendo em conta estes fatores, os jovens de famílias de menor status tendem a acabar em ambientes menos exigentes intelectualmente, seja por opção ou por circunstância, o que aumentaria a diferença de níveis de QI à medida que envelheciam. "Nós não sabemos o quanto de mudança no QI podemos explicar por diferenças na educação, o tempo de prisão, estatuto profissional, etc, e se isso afeta as estimativas do estudo."
- G1 -

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