domingo, 2 de dezembro de 2012

Música: O futuro da indústria não está na venda de canções

Onze anos depois do último álbum, os No Doubt voltaram a pisar um palco como banda, em Paris. Não foi no Zénith, perante milhares de fãs endoidecidos; foi na Maison de la Mutualité, num concerto privado com entrada restrita. O primeiro de muitos que a Universal Music e a fabricante informática HP vão fazer no próximo ano. Num mercado em pânico com a pirataria, há uma coisa que nenhum consumidor consegue: fazer download de uma experiência ao vivo com os artistas.
"Oferecemos algo que os consumidores não podem encontrar num site pirata, o acesso a experiências únicas, conhecer um artista, almoçar com ele, ir a um estúdio assistir à gravação de um disco, viajar ao estrangeiro para ver os melhores concertos", explica ao Dinheiro Vivo Carla Simões, diretora de desenvolvimento de negócio e digital da Universal Music Portugal. A parceria, HP Connected Music, tem a duração de doze meses e será revista conforme os resultados. A novidade é que oferece um serviço de streaming de música ilimitada associado aos pacotes VIP, "uma experiência única", como caracterizou Olivier Robert-Murphy, responsável da Universal, antes do concerto inaugural da estratégia em Paris.
A editora, que tem o maior catálogo do mundo, confia que o sucesso da indústria está no streaming. Serviços que disponibilizam milhões de músicas, a qualquer hora e lugar, com um pagamento mensal. "É possível mudar a mentalidade desta geração com os serviços de streaming. Para nós são o futuro do consumo", diz a responsável.
Algo em que Eduardo Simões, presidente da Associação Fonográfica Portuguesa, não tem tanta fé. "Que incentivo têm as pessoas para irem a um serviço onde têm publicidade ou têm de pagar uma quantia, por pequena que seja, quando ao lado têm a mesma coisa gratuitamente?", questiona. "Não basta por si só aparecerem novos serviços se não houver, ao mesmo tempo, um controlo mais efetivo da pirataria da internet", salienta. O presidente caracteriza o mercado português como "um dos piores do mundo", em que a venda de música digital está muito abaixo da média. "Em Portugal continuam a faltar alguns serviços importantes", frisa, destacando o Spotify - a plataforma de streaming mais popular da internet. "O mercado é muito pequeno e tem muitos problemas. É natural que os serviços não se sintam tentados a instalarem-se em Portugal."
- dinheirovivo.pt -

0 comentários: