sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

“Leis de Incentivo à Cultura” são o pão e circo do século XXI

Já Vai Tarde
O modo atual de tratar o conceito “cultura” e sua imensa utilização é um perfeito exemplo de
quando a última coisa que se quer é a clareza do que se fala. Naturalmente, isso não é nada casual – ou pouco festejado – No entanto, ao baixar dos panos, tal c u l t ura hoje se revela como tendo sentido apenas num contexto de eleição, enquanto iscas; as “Leis de incentivo à Cultura” são o pão e circo do século XXI, com o acrescido detalhe que o pão é cobrado à parte. Da mesma forma que um Estado organizado sob os preceitos de uma república democrática não poderia ‘incentivar’ a religião – deixando isso a cargo de sua população – também deveria fazer o mesmo com a cultura: o Estado é essencialmente uma organização de força, de controle, ele não ‘incentiva’ nada. É notável como as discussões envolvendo
políticas culturais tratam a cultura, geralmente, como qualquer manifestação natural resultante das relações internas de uma população, ou algo assim, porém, caso seja, se
essa manifestação cultural entra em declínio, tentar então incentivá-la numa espécie de revival só tem sentido como estratégia político-econômica; pois quando uma cultura popular assim definida morre – let them go gracefully... – a única forma de ressuscitá-la é transformando-a em eventos partidários e pseudoprivados ou produtos autohomologados “culturais”; e tudo na medida exata dos principais gostos de uma população que acaba inclusive pagando duas vezes pela 'manifestação; uma nos impostos, outra nos ingresssos.
Cada centavo gasto pela população na aquisição de obras e eventos culturais patrocinados pelo Estado é, por assim dizer, a realização de um roubo duplo. Principalmente pelo fato de que o Estado, a princípio, não devia nunca gastar coisa alguma no intuito de ‘incentivar’ à
cultura – seja lá o que isso for – ainda mais num país onde detalhes públicos básicos como segurança, infraestrutura, educação ou tecnologia estão muito longe de receberem os tratamentos mínimos para o bom andamento de algo que se propõe hoje em dia ser uma república democrática. 
- Júlio Custódio, Folha do Estado -

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