quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Leitura & literatura

Ficção no twitter
O twitter promove no final deste mês seu primeiro festival literário. A inscrição (que pode ser vista a partir do link abaixo) é bastante sucinta, em contraste com o que costuma acontecer nos concursos mais tradicionais. O que se ressalta é a oportunidade de testar essa forma recente de transmissão de informações para narrativas ficcionais. Estimular novas formas de contar histórias, que já nascem repartidas em 140 caracteres.

Ficção no twitter II
A ideia é interessante. A partir do momento em que se organizou como indústria, foram os formatos tecnológicos que determinaram as formas de expressão no mercado editorial. Encartar histórias em capítulos dentro dos jornais, consolidá-las num único objeto – o livro – estimularam os autores contemporâneos dessas invenções a produzir obras adequadas a tais tecnologias. Não é de se estranhar que o fato se repita nesse momento em a leitura vem sendo atraída pelas profundas mudanças tecnológicas

Ficção no twitter III
Os blogs foram pioneiros nesse processo, mas de certa forma funcionaram como um receptáculo de um determinado tipo de texto – de perfil confessional – que reproduzia modelos já conhecidos em livro, como o diário. Testar o twitter como veículo ficcional traz no mínimo uma novidade estimulante: contar uma história em tempo real. Nessa época em que a mobilidade dos aparelhos praticamente torna todo individuo um leitor em potencial, carregando uma tela aberta o dia inteiro em seus bolsos e bolsas, imaginar formas de dialogar com esse público é um tremendo desafio artístico.

Roth sai de cena
Aos 79 anos, a carreira do mais comentado autor americano chega ao fim. Philip Roth anunciou sua aposentadoria à revista francesa “Les in rocks”, afirmando que “Nêmesis” (Cia das Letras, R$ 36,00), lançado em 2011 no Brasil, é sua última obra. Afora a sensação de orfandade que toma seus admiradores, algumas reflexões podem ser estimuladas pela decisão do autor.

Roth sai de cena II
A primeira diz respeito ao momento certo de um escritor deixar de produzir. O embate entre vaidade artística, energia criativa, e, principalmente, uma questão de ordem existencial: como deixar de se dedicar a uma atividade tão absorvente, após décadas de trabalho diário? No caso de Roth, os indícios já estavam na sua obra recente. Em “Fantasma sai de cena”, de 2007, (Cia das Letras, R$ 46,50), Roth já havia aposentado seu principal alter-ego, Nathan Zuckerman, que de certo modo emula traços da vida do autor: a vida reclusa, a distância da vida pública, o completo desinteresse pelo mundo atual cada vez menos literário. Um prévia do anúncio do autor, mas ainda mais do fim de uma determinada ideia de escritor que tende a desaparecer nas próximas décadas.

- José Godoy, CBN -

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