sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Festival Back2Black reúne grandes nomes da música negra no RJ

Vinte e oito atrações, entre elas grandes nomes do cenário mundial, se reúnem no Festival Back2Black, a partir desta sexta-feira (23), no Rio de Janeiro, para celebrar a música negra e lançar luzes sobre a influência afro na cultura brasileira e mundial. A quarta edição do evento, que acontece na Estação da Leopoldina, região central da cidade, contará com três dias de muita festa, atraindo nomes como Lauryn Hill, Missy Elliott e Santigold. Do elenco brasileiro destaque para Naná Vasconcelos, Martinho da Vila, Daúde e Emicida.
Com o a proposta de ser o maior evento de cultura negra na América Latina, o Festival Back2Black vai até este domingo (25) e contará também com mesas de debates sobre o universo da música e a temática negra. Os debates terão curadoria do escritor angolano José Eduardo Agualusa e participações do escritor Paulo Lins e do pesquisador e músico Nei Lopes. A proposta, segundo os organizadores, é "reconstruir, pela música, arte e debates, a conexão da sociedade moderna com suas raízes africanas".
Para isso, subirão nos dois palcos montados na "velha estação" representantes do que há de melhor no samba, hip hop, jazz, maracatu, funk, carimbó e outros ritmos de origem - ou influência - negra. O festival reuniu, nas suas três edições, 60 mil pessoas. Apesar de reconhecer a "dívida histórica" de países como o Brasil com a cultura negra, a proposta do evento é ser uma celebração, mais que um acerto de contas. A ideia passa por exaltar a cultura negra sob as luzes de um mundo contemporâneo, pop e novo.
Uma das atrações do Back2Black, a cantora e compositora Daúde vive a expectativa de estrear no evento e conferir o trabalho de muitos de seus ídolos. Confira a entrevista da artista ao Terra:
Terra - Além de estrear no evento, como está a expectativa por essa troca de experiências com músicos de várias partes do mundo?
Daúde - Eu sempre participei de festivais, né? Então, pra mim, o que é mais interessante é realmente você estar em um movimento com outros artistas e também o ineditismo e a sensação de que você poderá se surpreender com coisas que você nunca viu. Em um festival, as pessoas não vão para ver um artista só. É um aglomerado de coisas, uma troca muito interessante. Nessa época em que está tudo tão rápido, você poder estar frente a frente com vários artistas, recebendo e doando, ah, é muito legal. Eu vivo pra isso, afinal.
Terra - Você preparou um repertório específico para o Back2Black?
Daúde - Eu já tenho um pouco das características deste festival. Minha música já e muito calcada em coisas africanas, já gravei muita gente com referências de músicas africanas. É como se eu estivesse em casa. Vou aproveitar e vou colocar músicas do novo CD, vou antecipar algumas coisas. É como se fosse um ensaio.
Terra - A sua música tem nitidamente a raiz africana presente nela. Conta um pouco de como se dá essa influência.
Daúde - Bom, é uma influência muito natural, eu acredito. Eu não fui lá, peguei aquelas coisas e pronto. Não, eu nasci em Salvador e estou no Rio desde os 11 anos, né? A música brasileira e a nossa cultura são calcadas em músicas africanas. Música, para mim, é a negra. Se não é um clássico, pra mim, com certeza remete a isso (à música negra). O que é o rock, senão um blues mais rapidinho?
Terra - Alguma atração especial que você está ansiosa para assistir?
Daúde - Olha, tem um cara chamado Jupiter, que é muito interessante. O grupo (Jupiter e Okwess ¿ nascido no Congo) tem uma energia funk que é incrível. Eu não conhecia o som deles. Estou bem curiosa pela energia dos caras.
Terra - O que você acha da proposta de se incluir, em um festival de música, mesas de debates?
Daúde - Acho que deve ter havido uma necessidade para se colocar esses debates. Eles não pintaram por nada. A arte deve, sim, ter empurrado para isso. Mas não acho que é o debate que veio primeiro. O hip hop, por exemplo, você acaba tendo um debate em função dessa música. É como se fosse mesmo uma necessidade. Acho super válido e um momento de você poder utilizar esse espaço para discutir temas.
Terra - Quais as novidades de trabalho para 2013?
Daúde - Vou lançar um CD no ano que vem, que terá produção minha, independente, como tudo que tenho feito até agora. Eu gosto muito (de trabalhar assim). Mas ainda tem uma história complicada para quem é independente, que é a distribuição. Precisamos de uma estrutura para distribuir. Estou fechando com uma distribuidora. Eu sempre consegui que meu nome ecoasse graças à qualidade do trabalho feito. Sempre fui de selos pequenos.
- Terra -

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