terça-feira, 16 de outubro de 2012

Pirâmide social: 4.640 milionários brasileiros têm juntos R$ 1,764 trilhões



País conta com 4.640 pessoas com mais de US$ 30 milhões

No topo da pirâmide social, um grupo mais que VIP de 4.640 milionários brasileiros tem uma fortuna de provocar inveja em qualquer país do mundo. As riquezas somam US$ 865 bilhões (o equivalente a R$ 1,764 trilhões). É mais que do que as reservas internacionais de todos os países da União Europeia juntos. Apenas China e Japão têm em caixa uma poupança maior que a dos brasileiros, de acordo com a CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos. E a previsão é de uma expansão de 20% nos próximos cinco anos. Especialistas descrevem como a democratização do luxo no país, mas afirmam que o Brasil não está preparado para isso.
Para ser considerado milionário pela consultoria Wealth-X, que fez o levantamento, é preciso ter ao menos US$ 30 milhões na conta bancária. O Brasil é o campeão latino-americano nesse ranking. No total, segundo a Fecomércio-SP, as pessoas com mais de R$ 1 milhão já somam R$ 165 mil. Mas esse público ainda mais no topo é seletíssimo.
FALTA mão de obra DE LUXO
Cidadãos que podem pagar R$ 1,2 milhão por um carro importando de ultraluxo ou terem seu próprio avião. Capazes de importar garrafas de água que brota no solo do monte Fuji no Japão. Mas mesmo podendo comprar quase tudo que o dinheiro permite, esse mercado ainda não é considerado evoluído.
— No Brasil ainda temos um mercado em amadurecimento, em processo de educação e formação de uma base sólida de consumidores. Mercados mais tradicionais não enfrentam isso. Mas nós temos uma classe média em forte expansão, aspirando consumo, o que países tradicionais de consumo de luxo hoje não têm em função da recessão — ressalta Carlos Ferreirinha, um dos maiores especialistas da área.
Ferreirinha foi responsável pela primeira pesquisa quantitativa do setor no Brasil, organizador da 1ª Conferência Internacional do Negócio do Luxo e criador da Associação Brasileira das Empresas de Luxo.
O especialista diz que os problemas do segmento são os mesmos de setores tradicionais. Falta mão de obra —vendedores, gerentes de loja até diretores gerais, o que eleva salários. Os altos impostos também inibem investimentos, e faltam shoppings de elite.

- Gabriela Valente, O Globo -

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