sábado, 6 de outubro de 2012

Literatura

O leitor quer mais do mesmo
Não é uma surpresa, mas provoca reflexão, a atual concentração na lista de mais vendidos no país. A relação da revista “Veja” desta semana é emblemática. Os dez títulos de ficção listados foram escritos por apenas quatro autores. Sendo que dois deles – E.L. James e George R.R. Martin – respondem pelos sete primeiros lugares. É uma tendência, cada vez mais globalizada, que expõe algumas peculiaridades do mercado editorial, e que o iguala a outros setores da indústria do entretenimento.

O leitor quer mais do mesmo II
O que há de particularidade é o próprio tempo da leitura, que dá um peso muito maior às escolhas do leitor. Ao contrário de um cd ou um filme, ler um livro é comprometer um razoável período de tempo. Cada escolha demanda abrir mão de uma série de outras opções. A principal estratégia do mercado para ampliar esses ciclos de leitura é o livro-sequência. Hoje, é raro que um best-seller globalizado (como são os títulos das listas) não seja organizado em volumes sucessivos, como trilogias ou tetralogias. Ao mesmo tempo, o público parece sedento por esses prolongamentos, que acabam por ocupar um longo período de leitura. Não são raros hoje os leitores que leem títulos exclusivos de um mesmo autor ao longo do ano. Uma pena quando se pensa na leitura como um espaço da diversidade e da ampliação dos pontos de vista.

A morte de Hobsbawm
A ideia de que um século não cabe em seu registro cronológico, e que deve ser delimitado pelos acontecimentos, pelas grandes mobilizações sociais, é brilhantemente defendida nos trabalhos mais conhecidos de Eric Hobsbawm, morto ontem aos 95 anos. Por essa perspectiva, o século XIX teria início, precocemente, com a Revolução Francesa, em 1789, de onde parte o seu “A era das revoluções”, e finda, tardiamente, em 1914, com o começo da Primeira Guerra Mundial, onde se encerra “A era dos Impérios”.

A morte de Hobsbawm II
O acelerado século XX, que o historiador tratava como “o breve século”, teria início em 1917, com o desfecho do conflito e a eclosão da Revolução Russa, e teria fim junto à dissolução soviética em 1991. Sua leitura é marxista, sua perspectiva é delimitada a partir das tensões sociais, o modo como as classes populares se organizaram e moveram-se alterando o fluxo histórico. Mas quando mergulhamos no estudo dessas grandes acontecimentos, tão bem destrinchados por Hobsbawm, é difícil imaginar uma forma mais talentosa de interpretá-los e narrá-los.

Livro do mês de outubro
Conta-se que uma das motivações para a escrita de “O amante” foi a proposta que o filho de Marguerite Duras fez à escritora: que escrevesse um romance como legendas de imagens de sua vida. Pois a sensação de uma narrativa montada a partir de um álbum de fotografias permeia essa novela magnífica, um relato autobiográfico da vida de Duras, a história de sua família e dos anos passados na antiga Indochina. O livro, um sucesso tardio na carreira da escritora, é a obra de outubro do Clube do Livro CBN.

- José Godoy, CBN -

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