sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Fumaça assassina


   A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1,2 bilhão de pessoas fumam, em todo o mundo. O tabagismo - ato de consumir produtos que contenham tabaco, cujo princípio ativo é a nicotina -, já pode ser considerado uma pandemia e precisa ser combatido. O tabaco é considerado uma droga lícita, porque é permitido pela legislação, mas causa severos danos à saúde, cria dependência química, física e psicológica, o que dificulta o tratamento. 
   A fumaça do cigarro é uma mistura de 4.720 substâncias tóxicas e mais de 60 cancerígenas, que atua de forma nociva sobre os mais diversos sistemas e órgãos humanos. Inúmeros tipos de câncer estão associados a ela, como o de boca, garganta, laringe, faringe, estômago, bexiga e o mais mortal deles, o de pulmão, além do enfisema pulmonar, derrames, trombose, infarto e AVC. Fumantes passivos também sofrem efeitos imediatos: irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia, problemas respiratórios e cardíacos.
   O cigarro mata seis milhões de pessoas, por ano, em todo o mundo. Isso é mais que a soma das mortes por AIDS, cocaína, heroína, álcool, suicídio e acidentes de trânsito. Em 2011, os países gastaram cerca de US$ 200 bilhões de dólares em tratamentos médicos relacionados a ele, ocasionando perdas multimilionárias às diversas Nações. 
   No Brasil, 25 milhões de pessoas fumam. Só no ano passado, mais de 200 mil brasileiros morreram por doenças causadas pelo fumo e o País gastou quase US$ 10 bilhões para tratá-los. São 23 mortos, por hora, principalmente de câncer de pulmão, que é o responsável por 30% dessas mortes, seguido pelas doenças pulmonares obstrutivas crônicas, coronarianas e derrames cerebrais. Ainda assim, continuamos incentivando a produção e exportação do tabaco: somos o quarto produtor e o maior exportador mundial desse produto.
   Para controlar o fumo é preciso que os governos se comprometam a monitorar seu uso e as políticas de prevenção; proteger as pessoas contra sua fumaça; disponibilizar, amplamente, os programas de apoio ao abandono do vício; advertir sobre os riscos à saúde; banir o anúncio, patrocínio e promoção da indústria; e aumentar os impostos sobre produtos.
   O tabagismo tornou-se um caso de saúde pública, no mundo todo, e deve ser enfrentado, por governos e sociedade, com muita informação e restrições à sua cadeia produtiva. As campanhas de combate ao fumo precisam mirar muito mais a prevenção, evitando que as pessoas comecem a fumar. Elas devem focar, principalmente, os jovens, sem esquecer, contudo, seu objetivo primordial que é banir o cigarro, definitivamente. 

Martha E. Ferreira é economista, consultora, professora e palestrante

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