segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cinema

Oscar 2013: Irã faz boicote e não indica representante do país
Não causou surpresa, no Oscar 2012, a premiação do belo e instigante "A Separação", dirigido por Asghar Farhadi. Mas o prêmio concedido pela Academia foi definitivamente um marco para o país de origem do filme, o Irã, que pela primeira vez na história recebia uma estatueta do Oscar. Não se pode afirmar que o feito se repetiria tão cedo, mas é fato que na edição de 2013 as chances de vitória para uma produção do Irã agora são nulas. Isso porque o ministro da Cultura e da Orientação Islâmica do Irã, Mohammad Hosseini, afirmou em nota oficial que seu país vai boicotar o Oscar 2013 e não enviará um representante para a disputa. A decisão se dá como uma forma de protesto contra o filme "Inocência dos Muçulmanos", produção americana que satiriza a religião islâmica e acabou causando revolta nos países árabes. Na história, a figura mais sagrada entre os muçulmanos, Maomé, é mostrada com um homem promíscuo e de tendências homossexuais. Neste momento, Javad Shamaghdari, chefe da agência de cinema do país, tenta convencer os órgãos oficiais iranianos a revogarem tal decisão na tentativa de emplacar "A Cube of Sugar", longa assinado por Ye Habbeh Ghand que há poucas semanas havia sido escolhido como o representante iraniano no Oscar 2013.


Oscar 2013: Itália anuncia representante na disputa de filme estrangeiro
Enquanto o Irã sinaliza sua não participação no Oscar, vários países no mundo divulgam seus candidatos a uma vaga na disputa do prêmio da Academia. Na semana passada, o filme "O Palhaço", dirigido por Selton Mello, foi oficializado como escolhido para representar o Brasil. Agora foi a vez da Itália, que acaba de inscrever "César Deve Morrer", novo trabalho dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani. Atual vencedora do Urso de Ouro em Berlim, a produção conta com atores não profissionais - na verdade, são todos detentos da prisão de segurança máxima Rebbibia, que também é o nome de um bairro nos subúrbios de Roma. Mistura de ficção e documentário, o filme não só retrata o dia-a-dia dos condenados, mas sobretudo o empenho de todos eles na montagem de "Júlio César", clássica peça de William Shakespeare. Os indicados ao Oscar serão anunciados oficialmente no dia 10 de janeiro de 2013. A cerimônia de entrega acontece em 24 de fevereiro.

Produtor de "Máquina Mortífera" encerra parceria com estúdio Warner
A notícia seria corriqueira, não fosse o fato de Joel Silver ser um dos mais conceituados produtores de Hollywood e ter estabelecido sua carreira na Warner durante os últimos 25 anos. A saída de Silver do estúdio não foi tão simples e demandou uma série de discussões para se chegar a um acordo - que não foi lucrativo para o produtor, mas não havia outra escolha. Joel Silver receberá da Warner uma quantia estimada em US$30 milhões, mas deverá abrir mão dos direitos autorais de seus mais de 30 filmes assinados sob o nome de sua companhia Silver Pictures. Isso significa que a partir de agora o produtor deixa de obter qualquer lucro com as franquias de sucesso que criou, como "Matrix", "Máquina Mortífera" e "Sherlock Holmes". O problema é que entre tantos êxitos comerciais, Silver também acumulou alguns fracassos, como "Speed Racer", "O Livro de Eli" e "A Senha - Swordfish". E quando os executivos da Warner colocaram na ponta do lápis os lucros e perdas, a conta não batia. Por isso a decisão de rompimento na parceria, que ainda assim não é definitiva. Silver deverá continuar lançando algumas produções pela Warner, mas apenas por seu selo independente Dark Castle. Além disso, o episódio não deve colocar um ponto final na carreira de Joel Silver. Ao que tudo indica, o produtor já firmou um novo acordo com a Universal Pictures de no mínimo cinco anos e o lançamento de pelo menos 12 filmes.

Guilherme Fontes é condenado a devolver mais de R$2,5 milhões
O filme brasileiro mais famoso de todos os tempos e que nunca existiu, "Chatô" (uma adaptação do livro "Chatô, o Rei do Brasil", escrito por Fernando Moraes), cuja direção de Guilherme Fontes ainda não foi concluída, voltou às manchetes nessa semana. Isso porque a Justiça - a 31ª Vara Cível do estado do Rio de Janeiro - decidiu pela condenação de Guilherme Fontes, que será obrigado a devolver mais de R$ 2,5 milhões por causa do não cumprimento de dois contratos de patrocínio assinados para seu projeto - um com a Petrobras Distribuidora (R$1,1 milhão) e outro com a Petrobras S/A (R$1,5 milhão). A esses valores ainda serão somados correção monetária e juros. A decisão foi proferida pelo juiz Paulo Roberto Fragoso, que afirmou na sentença: "A atitude do réu em captar verbas públicas e não cumprir com o contratado sem apresentar qualquer justificativa para tanto fragiliza a credibilidade da classe que integra e frustra legítima expectativa das patrocinadoras. Esse comportamento, como dito, é prejudicial a todos os que necessitam desta linha de crédito, pois acarreta insegurança e desconfiança nos patrocinadores". Fontes e seus advogados ainda podem entrar com recurso contra a decisão, mas o fato é que lá se vão quase quinze anos e a novela "Chatô, o Rei do Brasil" ainda não chegou ao fim.

Festival de Brasília - Júri decide por empate na categoria de melhor filme
Público e crítica não concordaram com a decisão do júri do Festival de Brasília em dividir o candango de melhor filme: o empate, uma coisa rara, ficou entre "Eles Voltam", de Marcelo Lordello, e "Era uma Vez Eu, Verônica", de Marcelo Gomes. Ambos, aliás, produções pernambucanas. A grande surpresa - para não dizer absurdo completo - foi mesmo a não escolha de Hermila Guedes como melhor atriz. E a vergonha absoluta ficou por conta da premiação de "Otto", de Cao Guimarães, como melhor documentário. Conheça os principais vencedores em longa de ficção pelo júri oficial: Melhor direção – Daniel Aragão, por "Boa Sorte, Meu Amor"; Melhor ator – Enrique Diaz, por "Noites de Reis"; Melhor atriz – Maria Luiza Tavares, por "Eles Voltam"; Melhor ator coadjuvante – W. J. Solha, por "Era uma Vez Eu, Verônica"; Melhor atriz coadjuvante – Elayne Moura, por "Eles Voltam"; e Melhor roteiro – Marcelo Gomes, por "Era uma Vez Eu, Verônica".

- Marcos Petrucelli, CBN -

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