quarta-feira, 1 de agosto de 2012

“Você ainda ouve rádio?” - do Teia Livre

Os problemas enfrentados por artistas conhecidos como Pitty ou independentes como Rômulo Fróes para conseguir espaço nas rádios, que fecham suas portas aos que não pagam jabás ou exigem versões mais amenas das músicas, para se adequar ao público da música de massa.
Em Agosto de 2010 me deparei com uma mobilização de fãs da cantora Pitty pedindo por “Liberdade Musical”, contra a “censura das guitarras”. Segundo eles, as rádios estariam se recusando a tocar o single “Fracasso”, exigindo que Pitty lançasse uma versão acústica da mesma ou abandonasse a canção para lançar a balada “Só Agora”, por maior alcance radiofônico.
Em seu blog, Pitty esclarece a situação:”Não houve “censura”, e talvez a guitarra não seja bem o foco da questão.(…)Essa situação não diz respeito necessariamente à minha banda. Não é pessoal. É um panorama geral, que envolve todas as bandas de rock.(…) Pelo público de música pop ser maior, eles têm mais espaço; e os poucos artistas de rock que ainda conseguem entrar na programação são “convidados” a suavizar suas músicas para não assustar o ouvinte médio. Do contrário, não toca.”
E convida os artistas a se expressarem também, já que “dizer “não” sozinho não tem adiantado muita coisa. Sempre vai ter uma banda que vai aceitar pra se encaixar no perfil da programação, e isso acaba excluindo os que querem manter o som do jeito que ele é.”Pitty segue dizendo que como artista, acredita que o rádio ainda seja um meio necessário para atingir o público que não tem acesso a mp3 players ou internet e também para todos aqueles que acabam ouvindo a programação do rádio na rua. E aproveita para lançar algumas questões para nós: na falta de rádio especializadas em rock, a mistura entre os estilos agrega ou enfraquece? As rádios tocam o que vocês querem ouvir? “Se não, então as rádios precisam saber que ainda tem gente a fim de escutar rock, guitarras, letras mais complexas. E o único jeito deles saberem disso é com vocês se manifestando. não há jabá que segure uma música não pedida na programação.”, diz ela.
Enquanto lia seu post, percebi que a questão estava um pouco além do raciocínio de Pitty. Várias indagações surgiram: será que esta era uma discussão válida, num mundo onde sabemos que vários artistas são obrigados a modificar suas músicas para as gravadoras lançarem? Será que pensar em atingir um público tão amplo não seria ingenuidade, ou até mesmo pretensão, quando se faz um tipo de música restrito – explico: não vejo o rock como um único estilo musical, onde várias bandas e cantores simplesmente por “serem rock” sejam aceitas pelo público. O rock é segmentado ao ponto dos fãs de cada estilo brigarem entre si. Mesmo o pop rock atinge um número bem menor de pessoas do que outras músicas populares de maneira geral e a prova disso é o fato de aqui, no Rio de Janeiro, praticamente a cena roqueira extinguiu-se. Virou cena de gueto. Grandes bandas muitas vezes não passam por aqui, não lotam shows quando passam e não temos festivais significativos do gênero. Imagino que em outros estados, aconteça a mesma coisa. (...)
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