quinta-feira, 19 de julho de 2012

Leitura & Literatura

O mercado cresce pelas mãos do governo
Na última quarta, dia 11, foram divulgados os números da Pesquisa de Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada anualmente pela Fipe/USP. Entre os dados relevantes, como o aumento do número de títulos editados (58,2 mil, um acréscimo de 6,28%), a queda do preço médio das obras comercializadas (- 6,11%) e a comprovação do quão incipiente ainda é o mercado de livros eletrônicos (menos de 1% do faturamento das empresas), o principal é a dependência cada vez maior de nossas editoras de compras governamentais.

O mercado cresce pelas mãos do governo II
Os números são o melhor argumento. Pois se o crescimento total do mercado em relação a 2010 foi de 7,36% (menos de 1% descontada a inflação), excluindo as compras governamentais (que já respondem por 21,2% do faturamento do setor, sem descontar a inflação), as vendas diretas ao mercado tiveram acréscimo de 3%, o que com a inflação do período, mostra um encolhimento de 3,27% das receitas, mesmo que o número de exemplares comercializados tenha crescido em 10%.

O mercado cresce pelas mãos do governo III
Não é à toa que a briga mais intensa entre as editoras locais seja por obras com apelo para os programas de compras do governo. Drummond, Jorge Amado, Cecília Meirelles e Érico Veríssimo são só alguns dos principais nomes da nossa literatura que trocaram de casas editoriais nos últimos anos. E basta ler as entrevistas com os representantes de suas obras para perceber que o argumento mais robusto passa sempre pelos projetos de divulgação nas redes públicas de todo o país.

O mercado cresce pelas mãos do governo IV
É difícil imaginar mudanças nesse cenário nos próximos anos. O mercado, como mostram os números, vem baixando o preço médio das obras (algo na casa dos R$ 12), tornando-as mais acessíveis, fragilizando cada vez mais o equivocado (a meu ver) argumento do preço como um impeditivo. O gargalo é mesmo a dificuldade em atrair leitores fora do período das leituras escolares obrigatórias. Esse é o ponto a ser atacado, e que demandaria políticas muito mais ambiciosas que as atuais por parte de editoras e poder público.

On the road
É um tremendo desafio adaptar clássicos literários para o cinema. E raros os cineastas que se saem bem neste tipo de empreitada. O equilíbrio sutil entre fidelidade e um viés pessoal é o fio da navalha em que caminham os que se propõem a essa iniciativa. Walter Salles se saiu bem em sua adaptação de "On the road", de Jack Kerouac. Conseguiu o mais difícil, transmitir em imagens a pulsação frenética daquela escrita, captando em cenas de uma beleza incomum o tempo de rupturas estéticas, sociais e culturais que emerge do romance de Kerouac.

- José Godoy, CBN -

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