segunda-feira, 30 de julho de 2012

Devoção ao músico John Coltrane tem fieis e igreja

“Todo louvor a Deus. Uma Mente. Um Amor Supremo”, ostenta a página inicial da St. John Coltrane African Orthodox Church na internet. Acredite ou não, Coltrane transcendeu sua humanidade e virou religião, ainda que os fiéis não passem necessariamente pelo templo instalado em San Francisco, nos Estados Unidos, para demonstrar sua devoção. A verdade é que antes de ser elevado a santo e ter seus temas tocados todos os domingos ao meio-dia em uma igreja pentecostal, um dos maiores jazzistas de todos os tempos, que perdeu a luta contra o câncer no fígado há exatos 45 anos, quase sucumbiu à heroína e ao álcool.
Em vida foram cerca de 50 gravações encabeçando os improvisos de gente como McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria), músicos que formaram o John Coltrane Quartet, responsável pelas maiores obras de seu voo solo. Neto de um reverendo da Igreja Metodista Africana Episcopal de Sião e de pais músicos – a mãe era cantora no coro da igreja e o pai, que Coltrane perderia aos 13 anos, tocava violino e ukelele. Ainda na escola, toma gosto pelo clarinete, mas decide partir para o sax alto após ter os ouvidos afetados pela banda do maestro Duke Ellington e pelo trabalho de Johnny Hodges.
Em 1946, entra para a King Kolax Band, possivelmente o primeiro grupo formado inteiramente por negros a tocar na rádio NBC, que contava com ninguém menos que o saxofonista Charlie Parker. Nos 14 anos seguintes faria parte dos melhores grupos da época: em 1949, aceita o convite de Dizzy Gillespie e assume o saxofone alto de sua big band; se junta ao Miles Davis Quintet em 1955 e mesmo já enfrentando problemas com as drogas – que o levaria a ser substituído por Sonny Rollins em 1957 – participa das sessões de gravação do célebre Kind Of Blue, lançado quatro anos mais tarde. Em 1960, já com o pé fora do barco de Davis, começa a gravar o álbum Giant Steps, o primeiro em que foi responsável por todas as composições.
- Exame -

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