segunda-feira, 30 de julho de 2012

Autor do hit 'Olhos Coloridos' estreia após 42 anos de carreira

Em 1972, Jorge Ben os convidou para interpretar sua canção Fio Maravilha no 7.º Festival Internacional da Canção. Eles recusaram a oferta. Maria Alcina topou ir em seu lugar e a carreira dela deslanchou. Eles ficaram para trás.
"Achamos comercial demais. Não fomos e perdemos a grande oportunidade de nossas vidas, não nos demos conta do que Jorge estava nos oferecendo", lembra hoje, sem qualquer amargura na voz, Macau, um dos três garotos negros que criaram, em 1969, uma das grandes experiências musicais perdidas da MPB, a banda Paulo Bagunça e a Tropa Maldita. "É o soul latino! O som negro do Harlem carioca", escreveu Nelson Motta na época. "É a fusão de Santana com o samba", assinalou um jornal.
No mesmo cenário em que emergiam grupos como O Terço e Secos e Molhados, a Tropa Maldita representava a gênese do movimento Black Power no Brasil. Macau, ou Osvaldo Rui da Costa, está hoje com 60 anos. Após 42 anos de carreira, somente esta noite é que ele lança em São Paulo seu disco de estreia, Macau do Jeito Que Sua Alma Entende, no Sesc Pinheiros. Quando tinha 20 anos, Macau tinha a seu lado o talento, a sorte, a ousadia, o destemor. Ao chegar de Los Angeles, no início dos anos 1970, Tim Maia já tinha ouvido falar de sua banda e os chamou para perto de si. Abriam shows de Tim, conviviam com Hyldon, Cassiano, Oberdan, Dom Salvador, Fábio.
Mas, como naquele aforismo, cavalo encilhado não passa duas vezes. As rádios não queriam tocar o disco do grupo porque achavam o nome da banda meio assustador. "Batemos na trave", diz Macau, que passou do céu ao inferno da MPB em poucos meses. "Paramos naturalmente, a banda foi se desfazendo. Você sabe: negro, pobre, sem condição social, tem de arrumar trabalho para sustentar a si e à família", conta.
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- Estadão -

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